Durante a pandemia, do dia para a noite o futuro tornou-se assustador. Tantos olhos se fecharam em rendição a um ser invisível, viajante de partículas, cruel ceifador. Colocou para sempre deitados na caixa da certeza, na vala do adeus, um tanto de corpos, milhares de sonhos.
Com surpresa e lágrimas o mundo viu-se inserido no caos do novo coronavírus e foi trancando-se em casa que todo aquele que pôde, ficou. Isolamento necessário a tentar fuga de tristeza multiplicada.
E o que fazer, recluso para aplacar a dor? Como manter a cabeça sã em território tão doente?
Eis que o chamado da arte veio bater à porta, e convidou os fotógrafos itanhaenses a clicar desafios criativos, com objetivo de dar fôlego às almas angustiadas. Foram instigados a brincar com a câmera, a observar o novo momento, a descobrir o universo de sua casa, a desbravar os encantos de seu quintal e a tirar o foco do sofrimento.
Por dias apresentando propostas divertidas para o nascer de novas fotografias, o Coletivo de Fotógrafos de Itanhaém exibe com alegria o resultado da dinâmica realizada pelas redes sociais em alguns meses de quarentena.
Essa exposição mostra o fruto de uma sementinha de bem-estar, que foi plantada nessa pandemia e que foi colhido doce para que nossos sentidos pudessem saborear com prazer o consumo de fotografia feita com despretensão e emoção, apontando ser possível tirar algo positivo mesmo nos mais tortuosos momentos.
Sinta-se convidado a regular seu ISO de maneira a ser capaz de captar as boas imagens da vida, independente da pouca luz por vezes ofertada. Em algumas ocasiões o existir fica escuro, passa acelerado, sem flashes, sem apoio… quase impossível aproveitar.
Mas sempre haverá alguma ferramenta para auxiliar na produção de um registro melhor. E tudo bem se não houver perfeita nitidez, na paisagem de nossa história o ruído também tem seu valor. Sigamos equilibrando o tripé e mantendo nossos sensores sensíveis à luz da esperança.
Texto por Gabriela Pereira
A exposição virtual ISOlamento esteve em cartaz em outubro de 2020, apenas pela internet.
Paulista de nascimento, mas vivendo em Itanhaém desde 1982, sempre esteve relacionado com a tecnologia, indo de técnico em Eletrônica a webdesigner e programador. Aficcionado por Fotografia desde 2014, aprendendo por hobby e como atividade terapêutica, participa do COFIT desde 2016. Com a velha Nikon Coolpix P600 e várias gambiarras como câmera principal, adoro fotografar paisagens, natureza e macro. Adepto da mobgrafia, acabo quase sempre usando mesmo o smartphone como câmera alternativa...

























































